Conferência de abertura do 75º Fórum da Abruem destaca papel das universidades na construção da resiliência climática
Palestra ministrada por Thiago Gehre Galvão abordou ODS, territorialização das políticas públicas e desafios globais.
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A programação do 75º Fórum Nacional de Reitoras e Reitores da Associação Brasileira de Reitoras e Reitores das Universidades Estaduais e Municipais (Abruem) teve início, na manhã desta quarta-feira (20/5), com a conferência “Da COP 30 aos territórios: universidades construindo resiliência climática e promovendo comunidades sustentáveis”. O tema foi ministrado por Thiago Gehre Galvão, coordenador executivo da Comissão Nacional para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (CNODS), vinculada à Secretaria-Geral da Presidência da República. A atividade foi mediada pela presidenta da Abruem e reitora da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), professora Cicília Raquel Maia Leite.
Durante a conferência, Thiago Galvão destacou que o cenário internacional contemporâneo exige maior capacidade de diálogo, cooperação e construção coletiva de soluções. O especialista considera que o Brasil tem se diferenciado internacionalmente pela defesa de agendas voltadas ao desenvolvimento sustentável, à participação social e à justiça climática.
“O Brasil vem se destacando internacionalmente justamente pelas escolhas que faz em torno dos próprios desafios que tem”, afirmou.
Ao abordar a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o palestrante ressaltou que o país possui características territoriais, sociais e culturais que favorecem a construção de soluções inovadoras e socialmente referenciadas. Para Thiago, a diversidade brasileira cria condições para que universidades, governos e comunidades atuem conjuntamente na produção de conhecimento e no desenvolvimento de políticas públicas conectadas às realidades locais.
Thiago também enfatizou a importância de aproximar os debates globais dos territórios e das comunidades. Segundo ele, um dos principais desafios atuais é justamente “territorializar” a Agenda 2030, tornando seus princípios aplicáveis às diferentes realidades regionais do país.
Nesse contexto, destacou o papel estratégico das universidades públicas brasileiras na implementação dos ODS, especialmente na produção e compartilhamento de conhecimento científico, na formação cidadã e na construção de soluções para demandas sociais, ambientais e econômicas.
Durante a fala, o coordenador da CNODS mencionou as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 e afirmou que os desastres climáticos evidenciam a necessidade de fortalecer políticas públicas voltadas à prevenção, adaptação e construção de resiliência.
“Não há mais como discutir desenvolvimento sustentável sem trazer a variável étnico-racial para o centro da discussão”, afirmou.
A conferência também abordou iniciativas voltadas à territorialização da Agenda 2030, como a criação de comissões municipais dos ODS, conferências locais e mecanismos de participação social voltados à construção de políticas públicas nos territórios.
Ao final da conferência, foi realizado um debate com participação das reitoras e dos reitores presentes, que abordaram temas como inclusão social, extensão universitária, financiamento de ações voltadas à sustentabilidade e estratégias para aproximar as universidades das comunidades e populações vulnerabilizadas.
O 75º Fórum da Abruem segue até sexta-feira (22/5), em Porto Alegre, com programação dedicada aos desafios das universidades públicas diante das mudanças climáticas, da gestão de riscos e da construção de territórios mais resilientes.
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