Coleção organizada pela Uergs e UPF desmistifica história do RS
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Seja pela abrangência histórica, seja pelo número de pesquisadores envolvidos (130), a coleção História Geral do Rio Grande do Sul, composta por cinco volumes, pode ser apontada como o mais profundo estudo já realizado sobre o nosso estado. A organização do projeto é do reitor da Uergs, Nelson Boeira, e do diretor do Programa de Pós-Graduação em História da UPF, Tau Golin.
Os dois primeiros livros da série, Colônia e Império, estão sendo lançados na 52ª Feira do Livro de Porto Alegre. Os outros três, República (1889-1930), República (1930-1985) e Povos Indígenas, devem chegar às livrarias ainda no primeiro semestre de 2007. Para marcar o lançamento da coleção, está acontecendo na Casa de Cultura Mario Quintana o Seminário Coleção História Geral do Rio Grande do Sul, onde alguns autores dos artigos estão debatendo os temas tratados nos livros.
Algumas das principais características do projeto são a convivência de pontos divergentes sobre o mesmo tema e a desmistificação de certos aspectos da história que, com o passar dos anos, tornaram-se quase verdades absolutas. O período colonial, por exemplo, ficou marcado como uma fase onde a única atividade relevante teria sido a pecuária. Mas artigos do primeiro volume mostram que, tão importante quanto a criação de gado, foi a agricultura, fundamental para a economia e a sobrevivência dos habitantes dos séculos XVI, XVII e XVIII. Outra curiosidade sobre a época colonial é que, apesar da fama de guerreiro do povo gaúcho, não houve antes de 1822 (ano da Independência) nenhuma grande revolta contra o domínio português, como veio a acontecer, por exemplo, em Pernambuco e Minas Gerais.
Sobre a transição de colônia para império, é ressaltado o fato de não ter ocorrido em todo o território nacional nenhuma comemoração no dia 7 de setembro. Por outro lado, festejos aconteceram em 12 de outubro, com a coroação de Dom Pedro I. A historiadora e professora da UFRGS Helga Piccolo, co-organizadora do volume Império, ao abordar essa questão no Seminário indagou: “não seria então o caso de mudarmos a data de celebração de nossa Independência?”. A Guerra dos Farrapos (1835-1845), momento-chave na história Rio-Grandense, também causa discordâncias. A professora da UAB (Universidade Aberta do Brasil) Maria Medianeira Padoin, também co-organizadora do volume Império e autora de um artigo sobre o evento, chama-a de “revolução”. Já a professora Helga Piccollo não concorda com a nomenclatura, acreditando ter se tratado, na verdade, de uma guerra civil.
Os primeiros volumes da coleção História Geral do Rio Grande do Sul estarão sendo autografados por vários de seus autores no dia 9 de novembro, às 19 horas, na Sala A2B2 da Casa de Cultura Mario Quintana.
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