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Professor da Uergs participa de pesquisa inédita sobre migração da baleia-franca-austral, uma espécie em recuperação

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Baleia Franca.
Paulo Ott, professor do curso de Ciências Biológicas da Uergs, coordenou as coletas das amostras no Brasil. - Foto: Acervo Instituto Australis

Um estudo inédito realizado por uma equipe internacional com a participação do professor Paulo Ott, da Uergs, descobriu onde se reproduzem as baleias-francas-austrais que se alimentam em torno da longínqua ilha subantártica da Geórgia do Sul. Esse entendimento permitirá melhorar os esforços de conservação para a recuperação da espécie, após anos de caça. Os resultados foram publicados no dia 20 de maio na revista científica internacional “JournalofHeredity”.

As baleias-francas-austrais foram extremamente caçadas por séculos até quase a sua extinção. Nesse estudo, o mais abrangente desse tipo já realizado, 30 pesquisadores de 11 países comparam o DNA de amostras de pele de baleias das ilhas subantárticas Geórgia do Sul, com amostras coletadas no Brasil, Argentina e África do Sul que são importantes áreas reprodutivas e berçários da espécie. Usando ferramentas moleculares de alta resolução, a equipe de pesquisadores confirmou que a os animais observados na Geórgia do Sul nascem nas águas do sul do Brasil e da Argentina, e não na África do Sul.

Paulo Ott coordenou as coletas das amostras no Brasil, e de acordo com ele, a compreensão da relação entre as diferentes populações de uma espécie altamente migratória como a baleia-franca-austral somente foi possível devido à existência de uma rede internacional de colaboradores. As amostras do Brasil foram coletadas em parceria com pesquisadores do Grupo de Estudos de Mamíferos Aquáticos do Rio Grande do Sul (Gemars) e do Instituto Australis.

Segundo Karina Groch, diretora de Pesquisa do Instituto, os resultados do estudo mostram ainda o importante link migratório entre as áreas de ocorrência da espécie e confirmam a conexão entre o Brasil e Argentina, já indicado anteriormente pela comparação do catálogo das baleias foto-identificadas em cada uma das áreas. De acordo com os pesquisadores brasileiros, o próximo passo agora será aprofundar estes estudos e identificar de forma mais precisa quais as áreas de alimentação das baleias-francas-austrais que nascem no Brasil.

A equipe de pesquisadores do British AntarcticSurvey, que assinam também o artigo científico, está acompanhando ainda, de forma inédita, os movimentos de duas baleias-francas-austrais nas Ilhas Geórgia do Sul em tempo real usando transmissores de satélite fixados nos indivíduos no último verão.  Uma das baleias monitoradas já está migrando para a costa sul-americana, fornecendo mais evidências dessa conexão migratória entre estas áreas. As baleias podem ser seguidas por meio deste link.

O artigo científico sobre as comparações genéticas entre as diferentes populações da espécie pode também ser acessado na íntegra por meio deste link.  

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