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Por uma Empatia Ambiental! Somente os laços afetivos são efetivos!

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Projeto Curiaçu mantém estratégia afetiva de ação.
Projeto Curiaçu mantém estratégia afetiva de ação. - Foto: Projeto Curiaçu - Guardiões da Floresta/Uergs

O ser humano possui dentre suas aptidões, uma capacidade inata que lhe permitiu desenvolver a linguagem e moldar a sociedade como a conhecemos, esta habilidade chama-se: Empatia.

Trata-se de um processo de compreensão que consiste em experimentar o que o outro está sentindo, vendo através da perspectiva do outro, ou seja, ocorre uma profunda identificação com outro indivíduo. Mas e quando o “outro” não é uma pessoa? Ainda vale a Empatia?

A empatia transcende, e se estende também aos animais, às plantas, rios, oceanos e até às rochas, pois são o substrato da vida. A empatia se estende à natureza como um todo, da qual somos uma pequena parte.

Acreditamos que justamente a reprogramação desta empatia foi o que culminou na eficácia do excesso e na voracidade de consumo, bem como no embotamento quanto às questões ambientais, já que os bens de consumo foram intrinsecamente associados ao status social, à satisfação e ao sucesso, em uma sociedade mentalmente vulnerável a tais estímulos.

Algumas áreas do marketing, por exemplo, trabalham com os supostos reforços positivos gerados pelo consumo, enquanto as propagandas ambientalistas sempre parecem tratar de problemas distantes de nós, principalmente em grandes centros urbanos. E como nos unirmos em prol da resolução dos problemas das mudanças climáticas, quando eu, seu vizinho, seus colegas nem sequer sabem de onde vem a água que bebem, a água que sai pela torneira dia e noite como mágica? E ainda mais, para onde esta água vai depois que passou pela sua casa? O que você, eu ou nós temos a ver com isso?

Portanto, não há uma identificação suficientemente profunda e intensa com as problematizações apresentadas, não só por falta de conhecimento dos impactos negativos, mas principalmente por vivermos em uma sociedade superficial que encara a natureza como mera fonte de recursos em seu dispor (fonte “inesgotável” aliás).

Esta visão deturpada e antropocêntrica acaba por causar uma cisão entre homem e natureza (lembro que homem e natureza não deviam estar separados, mas estamos acostumados com isso), o que rompe com qualquer possibilidade mais refinada e eficiente de empatia. Tudo isso como se não fizéssemos parte.

Diante disto, se faz imperativa uma reeducação do sujeito quanto à visão distorcida que tem de si mesmo como soberano sobre os demais indivíduos e elementos da natureza. Com um enfoque justamente no fato de que, apesar de ser dentre todos os animais aquele que mais a degrada, o homem é o único ser com capacidade intelectual (talvez) para restaurá-la e preservá-la enquanto há tempo, através do resgate do que nos foi conveniente nomear de “Empatia Ambiental”.

Celebramos o Dia Mundial do Meio Ambiente! Mas celebramos somente problematizando? Não! Não há mais tempo para somente problematizar. O Planeta Terra tem esse tempo todo, afinal ele já passou por “ameaças” muito maiores que a nossa presença. O tempo a que nos referimos é o tempo dos humanos. Aqueles que surgiram somente nos últimos milhões de anos em uma Terra que tem 4,6 bilhões de anos. Por isso o nosso “ecossistema” universitário está ativo! Nossos Grupos de Pesquisa estão dedicados a fazer a extensão de todo o conhecimento que construímos. É desta forma que o Laboratório de Gestão Ambiental e Negociação de Conflitos (Ganeco), sediado na Uergs Hortênsias, em São Francisco de Paula, atua junto à comunidade. Assim, convidamos todos a conhecerem nossa estratégia afetiva de ação: o Projeto Curiaçu - Guardiões da Floresta!

Em parceria com a Floresta Nacional de Canela - RS promovemos educação ambiental a partir da imersão em ambientes naturais e capacitações para os educadores do município, a fim de construirmos uma conscientização no que diz respeito à preservação dos recursos naturais e, o melhor, provocarmos o despertar do que denominamos como “Empatia Ambiental”. A maioria daqueles que protegem e protegerão a Floresta são aqueles que sabem o verdadeiro significado dela, pois cresceram e viveram junto com ela. E sim, uma Floresta numa cidade! Um grande benefício que ainda muitas outras cidades que cresceram junto ao Bioma Mata Atlântica possuem.

Assim, continue ou comece a trabalhar sua “Empatia Ambiental” nem que seja, primeiro, sabendo de onde vem a água que você bebe.

Seremos efetivos na sustentabilidade do Planeta somente se os laços com tudo que nos cerca e nos mantém forem afetivos!

 

Por:

Prof. Dr. Clódis de Oliveira Andrades Filho (Coordenador do Grupo de Pesquisa Ganeco)

Profa. Márcia dos Santos Ramos Berreta (docente do Programa de Pós-graduação em Ambiente e Sustentabilidade)

Prof. Me. Daniel Brinckmann Teixeira (docente do Curso de Bacharelado em Gestão Ambiental)

Prof. Dr. Júlio Konrath (docente do Curso de Bacharelado em Gestão Ambiental)

Demetrio Ribeiro De Andrade Neto (discente do Curso de Bacharelado em Gestão Ambiental)

Weslei Gross Velho (discente do Curso de Bacharelado em Gestão Ambiental)

Diogo Santos de Brito (discente do Curso de Bacharelado em Gestão Ambiental)

Luiz Antonio Borges da Silva (discente do Curso de Bacharelado em Gestão Ambiental)

 

Projeto Curiaçu – Guardiões da Floresta 

Grupo de Pesquisa (Uergs/CNPq): Laboratório de Gestão Ambiental e Negociação de Conflitos (Ganeco)

UERGS - Universidade Estadual do Rio Grande do Sul